quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mapa-mundi digital

Recentemente o IBGE lançou um mapa-mundi digital, com síntese, histórico, indicadores sociais, economia, redes, meio ambiente, entre outras curiosidades.
Vale a pena conferir!
É incrível!

http://www.ibge.gov.br/paisesat/main.php

quarta-feira, 30 de março de 2011

Iniciativa global planeja reduzir em 50% as hospitalizações por asma

"INFORMAÇÃO" Direito e Dever de todos Art.5ºXIV,CF/Cap.40 Agenda 21



Iniciativa global planeja reduzir em 50% as hospitalizações por asma

3 de maio: Dia Mundial da Asma


Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, são cerca de 300 milhões de pessoas com asma em todo o mundo. A doença é a principal causa de 250 mil mortes prematuras ao ano, passíveis de prevenção


Celebrado desde 1998, o Dia Mundial da Asma é comemorado na primeira terça-feira do mês de maio. No Brasil, encabeçada pela Iniciativa Global contra a Asma, GINA, a data servirá de alerta contra a doença, responsável por 250 mil mortes prematuras em todo o mundo, três mil delas só no Brasil. Quase todas poderiam ser prevenidas com tratamento adequado.


Médicos e profissionais de saúde que lidam com pacientes asmáticos em todo o país buscarão, neste dia, difundir informações sobre a doença e o controle dos seus sintomas a fim de reduzir as hospitalizações e o número de mortes por asma no mundo, contribuindo para que os portadores da doença tenham melhor qualidade de vida.


“A principal informação que precisa estar clara para a população, e especialmente para portadores da doença e seus familiares, é que só conseguiremos reduzir estes índices de hospitalizações e também as mortes pela doença evitando as exacerbações, que são as crises de asma”, orienta o dr. Álvaro Cruz, diretor-executivo da GINA Brasil.


O especialista explica que sendo a doença crônica, na maioria das vezes de origem alérgica familiar, não existe cura. Mas todo paciente deve ser tratado e receber acompanhamento médico. “Em casos mais graves, mesmo sob controle, os pacientes precisam continuar usando regularmente as suas medicações, tal como se faz na hipertensão ou diabetes”.

O principal objetivo da GINA, de lideranças e de associações interessadas no combate à asma em todo o mundo é criar esta cultura de tratamento contínuo, evitando a necessidade de hospitalizações ou atendimentos de emergência no momento das crises, que podem ser fatais.


“A nossa meta é reduzir as hospitalizações até 2015 em 50%, e não é impossível. Mas precisamos mobilizar não apenas os pacientes, mas também os profissionais de saúde, imprensa, lideranças políticas e sociedade”, revela dr. Rafael Stelmach, membro do Comitê Executivo da ONG no Brasil.



Mitos e verdades

MITO: O médico só deve ser procurado em caso de crise: esta afirmação é uma das principais causas dos altos índices de hospitalizações por asma. O correto é manter o tratamento conforme orientação médica, e só interromper quando autorizado pelo médico. Desta forma, o paciente poderá usufruir de uma vida com muito mais qualidade, e sem sustos.


VERDADE: O paciente asmático pode e deve praticar atividade física, mas sempre sob orientação e acompanhamento médico. Ao contrário do que muitos pensam, uma pessoa com asma controlada não apenas pode praticar esportes regularmente, como pode chegar a nível profissional. Exemplos dessa superação são os nadadores Mark Spitz e o brasileiro Fernando Scherer, o Xuxa; assim como a triatleta brasileira Carla Moreno, heptacampeã do Troféu Brasil de Triatlo.

MITO: O uso contínuo de medicamentos como as chamadas ‘bombinhas’ oferece risco cardíaco: esta afirmação está errada e é uma das principais causas de falta de tratamento adequado de pessoas com asma. Os tratamentos com medicamentos inalados são os ideais porque agem diretamente onde a doença está, e podem ser utilizados sem receio, sempre sob orientação médica.


VERDADE: Asma e bronquite crônica não são a mesma coisa, ao contrário, são doenças bastante diferentes. Enquanto a asma atinge indivíduos de qualquer faixa etária, especialmente as crianças, com sintomas de falta de ar e chiado no peito, a bronquite crônica está relacionada ao tabagismo. É uma doença pulmonar obstrutiva crônica, assim como o enfisema pulmonar, e dificilmente atingirá uma criança. Em geral, os pacientes são adultos e fumantes.

GINA Brasil

Trazida para o Brasil em 2010 - que foi o chamado Ano do Pulmão - pelo Dr. Álvaro Cruz (Membro do Conselho Diretor da ONG internacional), com o apoio de 109 médicos brasileiros, a Iniciativa Global contra a Asma é uma organização não governamental formada de voluntários - que compõem um conselho, comitês, e grupos de trabalho e de experts - e empresas parceiras. Parte da Aliança Global contra Doenças Respiratórias Crônicas (GARD), a ONG atua desde 1995 reunindo os maiores especialistas no assunto para elaborar estratégias de controle da doença. Era inicialmente liderada pela OMS e pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA.

O site oficial da ONG no Brasil (www.ginabrasil.com.br) traz informações e algumas dicas para quem quer se engajar nesse projeto. Um dos passos mais importantes para reduzir as hospitalizações por asma em 50% até 2015 é montar um grupo de apoio que englobe autoridades de saúde pública, representantes governamentais, ONGs e sociedades respiratórias.

http://conversasustentavel.blogspot.com/2011/03/iniciativa-global-planeja-reduzir-em-50.html

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Saiba mais sobre os ODM-SP nab http://odmsp.blogspot.com/
http://sosabelhas.wordpress.com/about/

Rede Mobilizadores COEP ( Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida)
www.mobilizadores.org.br/coep - www.mobilizadorescoep.org.br

Agrotóxicos afetam saúde tanto de produtores quanto de consumidores

"INFORMAÇÃO" Direito e Dever de todos Art.5ºXIV,CF/Cap.40 Agenda 21


Agrotóxicos afetam saúde tanto de produtores quanto de consumidores
ENSP, publicada em 28/03/2011

Em 2009, levantamento realizado pela Anvisa em 20 alimentos, entre frutas, legumes e verduras, mostra que quase 30% deles tinham agrotóxicos acima do limite permitido. O uso indiscriminado desses produtos faz do Brasil o campeão mundial no uso de agrotóxicos. O Globo Repórter de sexta-feira (25/3) abordou esse tema, tendo entre os especialistas entrevistados o pesquisador da ENSP/Fiocruz Sergio Koifman.

Segundo Koifman, tanto a população que faz uso dos agrotóxicos nas plantações como a que entra em contato direto com eles pelos alimentos estão expostas aos mesmos riscos, podendo ter sérios problemas de saúde.

Confira aqui a participação do pesquisador da ENSP/Fiocruz no programa. Nos links abaixo, estão disponíveis os vídeos que fizeram parte do Globo Reporter de sexta-feira (25/3).

Orgânicos possuem mais nutrientes do que alimentos convencionais

É possível plantar horta orgânica no quintal ou na varanda do apartamento

Criação de galinhas sem estresse produz ovos com mais qualidade

Agrotóxicos podem causar doenças como depressão, câncer e infertilidade

Alunos de Jundiaí plantam alimentos que consomem na merenda escolar

Curitiba possui o único mercado municipal do país só de orgânicos

http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/materia/?origem=1&matid=24469
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Saiba mais sobre os ODM-SP nab http://odmsp.blogspot.com/
http://sosabelhas.wordpress.com/about/

Rede Mobilizadores COEP ( Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida)
www.mobilizadores.org.br/coep - www.mobilizadorescoep.org.br

Prezad@s Amig@s. Estamos ajudando a divulgar. Repassem. Participem. Desejamos compartilhar matérias de interesse de nossa área de atuação, acreditando estar lhe prestando, gratuitamente, um serviço relevante e de qualidade. Desculpe, quem não nos conhece, mas seu nome está na nossa lista (se quiser, retiramos) Ou, se estiver satisfeito, encaminhe-nos suas sugestões de assuntos correlatos e/ou fontes alternativas. Aos amigos, um grande abraço.NAB Nota:grifos/destaques nossos

domingo, 27 de fevereiro de 2011

“Desigualdade social e renda injusta”, por Frei Betto*

Desigualdade social e renda injusta”, por Frei Betto*
Entre os 15 países mais desiguais do mundo, dez se encontram na América Latina e Caribe. Atenção: não confundir desigualdade com pobreza. Desigualdade resulta da distribuição desproporcional da renda entre a população.
O mais desigual é a Bolívia, seguida de Camarões, Madagascar, África do Sul, Haiti, Tailândia, Brasil (em 7º. lugar), Equador, Uganda, Colômbia, Paraguai, Honduras, Panamá, Chile e Guatemala.
A ONU reconhece que, nos últimos anos, houve redução da desigualdade no Brasil. Em nosso continente, os países com menos desigualdade social são Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai.
Na América Latina, a renda é demasiadamente concentrada em mãos de uma minoria da população, os mais ricos. São apontadas como principais causas: a falta de acesso da população a serviços básicos, como transporte e saúde; os salários baixos; a estrutura fiscal injusta (os mais pobres pagam, proporcionalmente, mais impostos que os mais ricos); e a precariedade do sistema educacional.
No Brasil, o nível de escolaridade dos pais influencia em 55% o nível educacional a ser atingido pelos filhos. Numa casa sem livros, por exemplo, o hábito de leitura dos filhos tende a ser inferior ao da família que possui biblioteca.
Na América Latina, a desigualdade é agravada pelas discriminações racial e sexual. Mulheres negras e indígenas são, em geral, mais pobres. O número de pessoas obrigadas a sobreviver com menos de 1 dólar por dia é duas vezes maior entre as populações indígena e negra, comparadas à branca. E as mulheres recebem menor salário que os homens ao desempenhar o mesmo tipo de trabalho, além de trabalharem mais horas e se dedicarem mais à economia informal.
Graças à ascensão de governos democrático-populares, nos últimos anos o gasto público com políticas sociais atingiu, em geral, 5% do PIB dos 18 países do continente. De 2001 a 2007, o gasto social por habitante aumentou 30%.
Hoje, no Brasil, 20% da rendas das famílias provêm de programas de transferência de renda do poder público, como aposentadorias, Bolsa Família e assistência social. Segundo o Ipea, em 1988 essas transferências representavam 8,1% da renda familiar per capita. De lá para cá, graças aos programas sociais do governo, 21,8 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema.
Essa política de transferência de renda tem compensado as perdas sofridas pela população nas décadas de 1980 e 1990, quando os salários foram deteriorados pela inflação e o desemprego. Em 1978, apenas 8,3% das famílias brasileiras recebiam recursos governamentais. Em 2008, o índice subiu para 58,3%.
A transferência de recursos do governo à população não ocorre apenas nos Estados mais pobres. O Rio de Janeiro ocupa o quarto lugar entre os beneficiários (25,5% das famílias), antecedido por Piauí (31,2%), Paraíba (27,5%) e Pernambuco (25,7%). Isso se explica pelo fato de o Estado fluminense abrigar um grande número de idosos, superior à media nacional, que dependem de aposentadorias pagas pelos cofres públicos.
Hoje, em todo o Brasil, 82 milhões de pessoas recebem aposentadoria do poder público. Aparentemente, o Brasil é uma verdadeira mãe para os aposentados. Só na aparência. A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE demonstra que, para os servidores públicos mais ricos (com renda mensal familiar superior a R$ 10.375), as aposentadorias representam 9% dos ganhos mensais. Para as famílias mais pobres, com renda de até R$ 830, o peso de aposentadorias e pensões da previdência pública é de apenas 0,9%.
No caso do INSS, as aposentadorias e pensões representam 15,5% dos rendimentos totais de famílias que recebem, por mês, até R$ 830. Três vezes mais que o grupo dos mais ricos (ganhos acima de R$ 10.375), cuja participação é de 5%.
O vilão do sistema previdenciário brasileiro encontra-se no que é pago a servidores públicos, em especial do Judiciário, do Legislativo e das Forças Armadas, cujos militares de alta patente ainda gozam do absurdo privilégio de poder transferir, como herança, o benefício a filhas solteiras.
Para Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, no Brasil "o Estado joga dinheiro pelo helicóptero. Mas, na hora de abrir as portas para os pobres, joga moedas. Na hora de abrir as portas para os ricos, joga notas de 100 reais. É quase uma bolsa para as classes A e B, que têm 18,9% de suas rendas vindo das aposentadorias. O pobre que precisa é que deveria receber mais do governo. Pelo atual sistema previdenciário, replicamos a desigualdade".
A esperança é que a presidente Dilma Rousseff promova reformas estruturais, incluída a da Previdência, desonerando 80% da população (os mais pobres) e onerando os 20% mais ricos, que concentram em suas mãos cerca de 65% da riqueza nacional.
* Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Noção de Paradigma- Thomas Kuhn

Noção de Paradigma

Thomas Kuhn, célebre historiador da ciência, falecido em 1996, mudou por completo a noção que se tinha sobre o progresso científico.

Anteriormente, pensava-se que a ciência progredia de forma contínua, por melhoramentos consecutivos, que iam sendo adicionados por sucessivos cientistas.

Na sua célebre obra As pessoas, de um modo geral, principalmente as gerações surgidas no século passado, não estão preparadas para o novo, para o inédito, para idéias inovadoras. Há uma triste tendência de rejeitar tudo que não é cientificamente embasado, segundo o que se transmite no retrógrado ensino convencional e no que é apreendido de vivências explicáveis.

Para o cientificismo convencional o que não é visto, ouvido, tocado ou cheirado não existe como fenômeno científico. Segundo eles, o resto é “conversa de carochinha!”. Ai se inclui o desprezo pela intuição, inspiração, criatividade e inteligência universal. Ou, com diria Einstein, como “Deus pensa”.

Inteligência universal é um novo paradigma que procura explicar, através da física quântica comentada por Max Planck e Fritjov Capra, além de Einstein, a existência das sementes da criação e o surgimento da intuição, que nada tem a ver com a racionalidade cartesiana. Tratarei desse tema em outra ocasião. Pretendo desenvolver uma abordagem dessa disciplina aplicável aos negócios.

A história nos oferece exemplos da nossa resistência e dificuldade em aceitar a tendência natural da evolução a partir do nada. São exemplos que ilustram o quanto precisamos evoluir mentalmente para acompanhar a celeridade e progressividade das mudanças, fenômeno dos mais visíveis deste início de século XXI.

Em 18 de abril de 1939, quando alguns técnicos e pesquisadores apresentaram o protótipo de um aparelho de TV, o tradicional e respeitado jornal “The New York Times” ofereceu aos assinantes a seguinte opinião: “A televisão não dará certo... as pessoas terão de ficar olhando sua tela, e a família americana média não tem tempo para isso”. Isso foi há apenas 64 anos. O que é a televisão hoje para a família americana? E para as famílias de todo o mundo? Sem comentários.

Em 1879 um desconhecido de pré-nome Thomas aproveitou a realização de uma exposição em Paris para demonstrar o seu invento. Um conceituado e também respeitado professor da renomada Universidade de Oxford chamado Erasmo Wilson fez o seguinte comentário “Quando a exposição de paris encerrar, ninguém mais ouvirá falar em luz elétrica”. O inventor era Thomas Edison. Como seria o mundo hoje sem a luz elétrica? Que seria da humanidade limitada a ouvir apenas o professor da Oxford?

Quando surgiu o cinema sonoro no ano de 1900 uma publicação especializada chamada Revista American Cinematograph deu a seguinte manchete: “O cinema sonoro é uma novidade ... que durará uma temporada”. O que acham do cinema sonoro hoje?

A postura de cientistas como Einstein, Thomas Edison, e mesmo um Leonardo Da Vinci, tido como dos poucos seres humanos com inteligências múltiplas, são exemplos históricos que devem ser tomados como aprendizado de forma a evitar o atual entorpecimento mental em que bobagem mesmo é a racionalidade científica, o raciocínio mecânico, a rejeição à intuição, sem considerar o atual e ultrapassado método de gerenciar governos, corporações privadas e de educar as novas gerações.

Enquanto não for substituído o paradigma da racionalidade científica que entorpece a intuição, impede a inspiração e bloqueia a criatividade, serão poucos os heréticos ou loucos e os cientistas a abraçarem estudos sobre a mente, a inteligência universal ou existência de um banco de conhecimentos em algum lugar que ainda desconhecemos.

Precisamos mesmo de heréticos e loucos, como os que contribuíram significativamente e de forma expressiva para o progresso da humanidade em todos os campos da ciência e da vida.
Mauro Nunes
A Estrutura das Revoluções Científicas (1962) defendeu que os grandes progressos da ciência não resultam de mecanismos de continuidade, mas sim de mecanismos de rotura.

Uma ciência que evolui de forma contínua atravessa uma etapa do seu desenvolvimento em que se considera que constitui uma Ciência Normal. Durante esse período, o mundo ao qual essa ciência se aplica é visto por todos os seus praticantes segundo uma mesma perspectiva. Todos vêm o mundo da mesma maneira.

A certa altura, alguns dos praticantes dessa ciência começam a descobrir contradições internas e chegam à conclusão de que a forma de ver o mundo em que essa ciência de baseia não é adequada. Começam a descobrir que o mundo devia ser olhado de outra maneira. Às diversas formas de ver o mundo, Kuhn chamou paradigmas. Quando alguém descobre um paradigma distinto, sobre o qual é possível basear o desenvolvimento duma ciência, diz-se que a ciência é, durante esse período, uma
Ciência Revolucionária.

Segundo Kuhn, uma ciência evolui por etapas que ora são de evolução normal, ora de rotura revolucionária, sendo as roturas revolucionárias que mais contribuem para o progresso dessa ciência.

Na Astronomia, por exemplo, durante muitos anos acreditou-se no paradigma geocêntrico, segundo o qual o Sol rodaria à volta da Terra. Todos os cálculos matemáticos da altura, realizados sobre os movimentos dos planetas, confirmavam que o paradigma geocêntrico era o correto. A certa altura, no entanto, alguns astrônomos e físicos começaram a conjecturar que as irregularidades que detectavam em alguns dos cálculos só poderiam ser explicadas se a Terra rodasse em torno do Sol, e não vice-versa. Durante anos, as suas convicções levaram-nos à rejeição social, a acusações de heresia e, em alguns casos, à perda da própria vida, emulada nas fogueiras da Inquisição, mas a partir de certa altura os cálculos começaram a confirmar que, de fato, a razão estava do lado deles, e o paradigma heliocêntrico impôs-se. É curioso observar que Pedro Nunes, o nosso maior matemático, e um dos grandes matemáticos do mundo, na sua época, não aceitava o paradigma heliocêntrico, contrariando assim um número já significativo de contemporâneos seus. A razão que hoje se avança para explicar essa estranha posição é que na época os cálculos de previsão do movimento dos planetas se apresentavam muito mais rigorosos quando se recorria ao modelo geocêntrico, enquanto que o modelo heliocêntrico conduzia a anomalias de cálculo que ninguém, na altura, sabia explicar.

Thomas Kuhn descreve como ciências imaturas aquelas que ainda nem sequer têm paradigmas, e que, como tal, nem sequer podem ser consideradas ciências. Um investigador que pretenda fazer ciência na ausência de uma paradigma unificador depara com uma coleção arbitrária de conceitos não organizados, sem qualquer estrutura integradora capaz de lhes dar coerência e unidade, ou então com múltiplas propostas de estruturas integradoras que são inconciliáveis entre si.

Uma ciência que já estabeleceu os seus paradigmas é considerada uma ciência normal. Como se desenvolve no respeito do seu paradigma unificador, tem um desenvolvimento incremental que tende a limitar-se a resolver, mais ou menos rotineiramente, os problemas que se vão colocando. Como dizia Kuhn, a este nível, as ciências pouco mais fazem do que resolver “puzzles”.

De acordo com Kuhn, os grandes progressos de uma ciência só acontecem quando os seus próprios paradigmas são desafiados e substituídos por novos paradigmas. A essas ciências, que rompem com os paradigmas que as regiam, chamou ciências revolucionárias.

O conceito de paradigma tornou-se muito popular a partir das propostas de Kuhn e hoje significa, mesmo na linguagem corrente, uma maneira de ver a realidade. Trata-se de um conceito particularmente importante para compreender, não apenas a ciência, mas a própria vida em sociedade. De fato, muitos dos conflitos que hoje em dia se geram resultam de choques entre pessoas que vêm a realidade de maneiras antagônicas. Este fato é tão mais importante quanto acontece que, quando se vê a realidade de uma determinada maneira se tende a ser incapaz de a ver de outra, possivelmente mais correta.

A figura seguinte ilustra este fenômeno sobre uma imagem.



Algumas pessoas acham que ela representa uma velha. Outras acham que representa uma jovem. Ambas têm razão. De fato, a mesma imagem representa as duas coisas. No entanto, quem vê nela uma das coisas, não consegue ver a outra. Quando estamos prisioneiros de um paradigma, dificilmente conseguimos aceitar outro paradigma que compita com ele. Só se fizermos um esforço grande para nos situarmos no outro paradigma é que, então, subitamente, passaremos a ver as coisas de uma forma completamente diferente.

Esta questão tem particular importância, também, em matéria de ética, na medida em que se virem as questões segundo uma determinada visão, porventura reprovável, dificilmente seremos capazes de adotar uma visão alternativa que seja eticamente mais equilibrada.

No essencial, o importante é ganharmos flexibilidade intelectual para sermos capazes de mudar de paradigma. Uma vez ganha essa flexibilidade, poderemos, então, analisar cuidadosamente os paradigmas em jogo e fazer opções muito mais apropriadas aos universos nos quais, em cada momento, nos situamos.

Paradigmas entorpecem a criatividade?
As pessoas, de um modo geral, principalmente as gerações surgidas no século passado, não estão preparadas para o novo, para o inédito, para idéias inovadoras. Há uma triste tendência de rejeitar tudo que não é cientificamente embasado, segundo o que se transmite no retrógrado ensino convencional e no que é apreendido de vivências explicáveis.

Para o cientificismo convencional o que não é visto, ouvido, tocado ou cheirado não existe como fenômeno científico. Segundo eles, o resto é “conversa de carochinha!”. Ai se inclui o desprezo pela intuição, inspiração, criatividade e inteligência universal. Ou, com diria Einstein, como “Deus pensa”.

Inteligência universal é um novo paradigma que procura explicar, através da física quântica comentada por Max Planck e Fritjov Capra, além de Einstein, a existência das sementes da criação e o surgimento da intuição, que nada tem a ver com a racionalidade cartesiana. Tratarei desse tema em outra ocasião. Pretendo desenvolver uma abordagem dessa disciplina aplicável aos negócios.

A história nos oferece exemplos da nossa resistência e dificuldade em aceitar a tendência natural da evolução a partir do nada. São exemplos que ilustram o quanto precisamos evoluir mentalmente para acompanhar a celeridade e progressividade das mudanças, fenômeno dos mais visíveis deste início de século XXI.

Em 18 de abril de 1939, quando alguns técnicos e pesquisadores apresentaram o protótipo de um aparelho de TV, o tradicional e respeitado jornal “The New York Times” ofereceu aos assinantes a seguinte opinião: “A televisão não dará certo... as pessoas terão de ficar olhando sua tela, e a família americana média não tem tempo para isso”. Isso foi há apenas 64 anos. O que é a televisão hoje para a família americana? E para as famílias de todo o mundo? Sem comentários.

Em 1879 um desconhecido de pré-nome Thomas aproveitou a realização de uma exposição em Paris para demonstrar o seu invento. Um conceituado e também respeitado professor da renomada Universidade de Oxford chamado Erasmo Wilson fez o seguinte comentário “Quando a exposição de paris encerrar, ninguém mais ouvirá falar em luz elétrica”. O inventor era Thomas Edison. Como seria o mundo hoje sem a luz elétrica? Que seria da humanidade limitada a ouvir apenas o professor da Oxford?

Quando surgiu o cinema sonoro no ano de 1900 uma publicação especializada chamada Revista American Cinematograph deu a seguinte manchete: “O cinema sonoro é uma novidade ... que durará uma temporada”. O que acham do cinema sonoro hoje?

A postura de cientistas como Einstein, Thomas Edison, e mesmo um Leonardo Da Vinci, tido como dos poucos seres humanos com inteligências múltiplas, são exemplos históricos que devem ser tomados como aprendizado de forma a evitar o atual entorpecimento mental em que bobagem mesmo é a racionalidade científica, o raciocínio mecânico, a rejeição à intuição, sem considerar o atual e ultrapassado método de gerenciar governos, corporações privadas e de educar as novas gerações.

Enquanto não for substituído o paradigma da racionalidade científica que entorpece a intuição, impede a inspiração e bloqueia a criatividade, serão poucos os heréticos ou loucos e os cientistas a abraçarem estudos sobre a mente, a inteligência universal ou existência de um banco de conhecimentos em algum lugar que ainda desconhecemos.

Precisamos mesmo de heréticos e loucos, como os que contribuíram significativamente e de forma expressiva para o progresso da humanidade em todos os campos da ciência e da vida.
Mauro Nunes.

Filosofia.projeto.esffl.pt.t kuhn
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

As Verdades naturais.

Olá amigos e amigas.
Estive de férias por alguns dias e não escrevi nada,entretanto li bastante.
Entre uma leitura e outra, achei algumas simplicidades de dois filósofos preocupados com as verdades naturais.

As Verdades naturais.
A filosofia de Tomás de Aquino situava-se em um ambiente cultural que tinha olhos apenas para o cristianismo, todo o resto sendo considerado irrelevante. Ele sustentava que não haveria conflito entre aquilo que a filosofia. ou a razão, ensina e aquilo que a revelação cristã, ou a fé, ensina. Cristianismo e filosofia falariam, em geral, da mesma coisa. Com isso ele não quis dizer que a razão poderia afirmar que Deus teria criado o mundo em seis dias, ou que Jesus seria filho de Deus. Só se chega a essas supostas verdades da fé pela crença religiosa. Mas Aquino acreditava na existência de várias "verdades teológicas naturais", com O que ele se referia às verdades que poderiam ser alcançadas ou pela fé cristã ou por nossa razão inata, natural.
Aquino acreditava em dois caminhos que levariam a Deus. Um caminho passa pela fé e pela revelação cristã; o outro, pela razão e pelos sentidos. Desses dois, o caminho da fé e da revelação seria o mais seguro, pois seria mais fácil se perder quando se confia apenas na razão. Para Aquino, não seria necessário haver conflito entre um filósofo como Aristóteles e a doutrina cristã, porque os dois revelariam aspectos da mesma verdade.
Aquino achava que poderia provar a existência de Deus com base na filosofia de Aristóteles. Afinal de contas, reconhecemos, usando a razão, que tudo a nossa volta deve ter uma "causa formal". Para Aristóteles tal causa deveria ser Deus. No entanto, Aristóteles não descreveu Deus com mais detalhes. Para isso é necessário contar unicamente com a Bíblia e com o que se afirma terem sido os ensinamentos de Jesus.
Aquino acreditava que haveria dois caminhos que conduziriam à vida moral. A Bíblia ensinaria como Deus quereria que o ser humano vivesse. Mas Deus também teria dotado o ser humano de uma consciência que permitiria distinguir entre o certo e o errado com uma base "natural". Não é preciso ler qualquer livro sagrado de qualquer religião para saber que é errado prejudicar o próximo, e que devemos "tratar os outros da mesma forma como queremos ser tratados".

A escala da Natureza.
Aristóteles acreditava que a existência de uma escala progressiva da vida, desde plantas e animais até o homem, implicaria um Deus que constituiria uma espécie de existência máxima. Não foi difícil alinhar essa disposição de coisas com a teologia cristã. De acordo com Aquino, haveria graus progressivos de existência a partir das plantas e dos animais até o homem, do homem aos anjos e dos anjos a Deus. O homem. assim como os animais. possui um corpo e órgãos sensoriais, mas o homem também possui uma inteligência que lhe permite raciocinar. Supondo-se a existência de anjos. estes não possuiriam tal corpo com órgãos sensoriais. razão pela qual teriam uma inteligência espontânea e imediata. Os anjos não seriam eternos como Deus. pois teriam sido criados um dia por Ele. mas. como seriam carentes de corpo. jamais morreriam.
Bem acima dos anjos. Deus governaria. Com um único olho coerente. Ele veria e saberia de tudo. Para Deus. o tempo não existiria da mesma maneira que existe para nós. Nosso "agora" não é o mesmo "agora" de Deus. Algumas semanas para nós não significariam necessariamente algumas semanas para Deus.
Abraços,
Wilson Araujo

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sucesso Pessoal e Crise

Sucesso Pessoal e Crise
Quando o homem de sucesso se considera um fracasso
Renê Pereira Melo Vasconcellos

Recentes pesquisas realizadas nos EUA revelam uma baixa surpreendente na auto-confiança dos norte-americanos; os resultados apontam para uma constatação nacional que a "prosperidade" sempre crescente é coisa do passado. Por outro lado, os comentadores perguntam estupefatos: Como pode o povo americano ser tão pouco grato à sua boa fortuna?
De fato, falamos de uma nação rica! Este é o país onde há o maior desperdício de alimentos no mundo, são toneladas de comida jogadas no lixo diariamente, montante suficiente para aplacar a fome dos bolsões de miséria de toda a América Latina. Sem falar no alto padrão de vida pessoal, das casas confortáveis, dos carrões que tanto impressionam os "pobres latinos", suscitando comparações com as "nossas carroças". Enfim, um país próspero, que trás a tona a perplexidade dos pobres: afinal porque, o very nice dos americanos sofreu um abalo tão drástico?
Podemos entender um pouco esta questão trilhando a trajetória que orientou o comportamento e escolhas do povo americano, respaldadas em motivações econômicas fortíssimas, e em cujas bases neoliberais se construiu o mundo social daquele país: exemplo seguido pela banda capitalista do mundo. A filosofia neoliberal prega a chamada "religião econômica", da obtenção do sucesso econômico-financeiro a qualquer custo, com um fim determinado que conduziria a "terra prometida" da cultura de consumo.
E o homem americano obediente ao Grande deus-mercado se lançou na aventura do êxito pessoal, lutando para alcançar o sucesso numa sociedade capitalista selvagem, cega pela Cultura da Insensibilidade com traços de caráter marcadamente individualista, privilegiando o TER em detrimento do SER.
Trabalhando e vivendo em função do trabalho, empurrado pela crença do sucesso fundado na carreira e na profissão, o homem americano em sua busca de posição social e de um lugar confortável na cultura de consumo, cultivou um caráter baseado nas leis do mercado: EGO- ísta individualista e pasmem... Infeliz! Depois de galgar altas posições sociais e se confrontar com as regras da nova ordem mundial, este homem inicia um doloroso processo de questionamento quanto a validade da idéia do êxito, em meio a ansiedades e crise de identidade provocando com isto novos dilemas, mas sobretudo se recriando para novas possibilidades de vida genuína.
O caminho de Damasco que o americano médio está percorrendo, demonstra que a idolatria do mercado com suas mistificações fundamentadas na idéia de que a Identidade das pessoas é definida por sua ocupação, cargo ou a posição que ocupa no sistema, começa a cair por terra, pelo menos nos países desenvolvidos. Toda esta discussão serve de alerta ao povo brasileiro massacrado e iludido pelo redemoinho neoliberal que prega resultados, sucesso individual, enfim, a glória sob a égide do império horripilante da lógica da exclusão e da insensibilidade de muitos em relação a ela, já que para que haja privilegiados é necessário que existam as vítimas que são imoladas em sacríficio, que o deus-mercado, nestes tempos de globalização exige aos milhões.
Estas pesquisas1 , também realizadas na Inglaterra , nos revela pessoas que conseguiram tudo o que se dispuseram materialmente e surpreendentemente se encontraram no deserto ao invés da tão propalada "terra prometida" oferecida pelo deus-mercado; e o que é pior, na busca alucinante da glória se depararam com o demônio da auto-destruição. Que no dizer de Horney: "como qualquer outro impulso destrutivo a busca da glória, tem a qualidade da insaciabilidade. Ela deve operar enquanto as forças desconhecidas (para a própria pessoa) a estão impelindo.(...) A busca da glória pode ser como uma obsessão demoníaca, quase como um monstro, engolindo o indivíduo que a criou."
Por suposto, o mundo tem fome, e na medida em que supra suas necessidades inclusive na dimensão espiritual poderá re-direcionar sua trajetória no sentido de uma vida plena, de vida vivida em abundância, onde prevaleça o equilíbrio entre o trabalho, a família e outros elementos essenciais para uma vida genuinamente feliz com uma abertura solidária para o Outro: o excluído social, o sem-teto, o sem-terra, o sem-tudo, o sem-nada!!
1 Ray Pahl, Depois do Sucesso - Ansiedade e Identidade. São Paulo, Unesp, 1997.

Reneé Pereira Melo Vasconcellos é psicóloga, doutora em Ciências Políticas e Sociologia pela Universidade Pontifícia de Salamanca, Espanha